sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Falsa dicotomia

Barulho.

Um carro a arrancar sem olhar para trás.
Uma cabeça cheia de preocupações.
O desabafo de um amigo.
Dois pontos e travessão.
Uma rua movimentada.
Uma criança a chorar.
Uma música sem fim.
Um riso musical.
Um grito.

Silêncio.

Um momento que passa.
As palavras que fogem.
O campo e as árvores.
Um pensamento.
O fundo do mar.
Um ponto final.
A solidão.
Um beijo.
A calma.
A noite.



Por agora, preciso de um pouco de silêncio, mas com algum barulho de fundo...

Pode ser?

2 comentários:

  1. Ana Carvalho e Awsome Santos9 de fevereiro de 2010 às 18:20

    E porque o mundo é feito de antíteses:
    O calor de duas sombras, o frio de uma só.
    O silêncio do branco e a sonoridade do preto.
    Um sol de alegria e uma gota de tristeza.
    O querer o tudo e o nada.
    Existir sem ser.

    E neste contínuo nada
    Onde tu e eu existimos
    O calor das nossas sombras,
    as palavras que trocamos,
    os gestos mútuos despercebidos,
    são para mim o mais puro dos nadas...

    Renuncio ao Som...
    Quão mais belo é percebê-lo em ti...

    E assim cada gesto,
    cada momento passado,
    cada palavra fugitiva
    são em ti a mais silenciosa das melodias...

    "Quero pois este silêncio...
    mas com algum barulho de fundo
    Pode ser?"

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  2. Txi, com o pessoal assim a aumentar o nível dos comentários começa a ser complicado uma simples mortal dizer de sua justiça :)
    Falsa dicotomia, acho que percebo, a unidade do mundo e a impossibilidade de querer alguma coisa sem conhecer o seu contrário... e a impossibilidade também de existir sem contrastes! e sem contradições...
    :) *

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