sexta-feira, 24 de abril de 2009

Crise de Identidade

Sempre gostei de ser diferente. Orgulhava-me de escrever com a mão esquerda e adorava vestir-me de forma original. Aborrecia-me ter um nome tão comum e repetido. Queria ser diferente, original, única! Como poderia alguém querer ser normal, quando havia a oportunidade de ser diferente, marcar de alguma forma a vida das outras pessoas e justificar, assim, a sua existência? Porque quereria alguém ser igual a todos os outros? Fazer o que os outros fazem? Ser como os outros?
Sempre me orgulhei de conseguir conciliar dois mundos tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão importantes para mim.
Por um lado, a dança, o teatro, a música, os dias na academia, os sábados, as saladas e as batatas fritas, os amigos, os ensaios e os espectáculos...
Por outro lado, a escola, as semanas de aulas repletas de testes a ansiar pelo fim-de-semana e pelas tardes livres, as guerras de balões de água, os amigos de infância (ou quase), os trabalhos de grupo, as tentativas de estudar em grupo, os desabafos.
Mas a verdade é que chegamos a um ponto em que repensamos tudo o que fizemos (e o que não fizemos) e pergunto-me, agora, se valerá a pena continuar, se será realmente tão bom ser diferente. Olho à minha volta e já não consigo distinguir as vantagens de não ser igual aos outros.
Pergunto-me se valerão a pena as dificuldades, as privações, as críticas (mesmo que estas se tornem elogios depois de muito trabalho), o cansaço, os momentos maus, o suor e as lágrimas que teimam em cair.
É verdade que a recompensa não poderia ser melhor. Graças a isto tive alguns dos melhores momentos da minha vida e fiz amigos fantásticos. E, realmente, o palco é o lugar onde me sinto em casa, mas...
Reconheço as minhas limitações e os meus fracassos, mas não quero ficar por aqui. Só que já não sei o que fazer. Estou tão perdida...

Será que é este o caminho ou estarei a seguir a direcção errada (ou será o sentido) ? Como poderei saber?





domingo, 19 de abril de 2009

I want to find my way

"Todos somos chamados pelo menos uma vez, a desempenhar um papel que nos supera. É nesse momento que justificamos o resto da vida, perdida no desempenho de pequenos papéis indignos do que somos."
Luis de Sttau Monteiro em Felizmente Há Luar



Estou cansada de representar pequenos papéis na vida. Quero ser chamada a desempenhar um papel que me supere. Quero descobrir o meu papel. Quero fazer a diferença. Não quero ser "só mais uma". Só mais uma pessoa perdida, à procura do seu rumo. Quero provar que consigo ser mais e melhor. Mas preciso de vocês...




"You helped me find my way
There's still so much to learn
So many dreams to earn
But even if I crash and burn ten times a day

I think I'm here to stay
I'm gonna find my way
!"

Legally Blonde, The Musical

terça-feira, 14 de abril de 2009

Sonhar...


"Eu tenho uma espécie de dever,
de dever de sonhar,
de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espectador de mim mesmo,
Eu tenho que ter o melhor espectáculo que posso.
E assim me construo, a ouro e sedas,
em salas supostas, invento palco,
cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis."

Fernando Pessoa





domingo, 12 de abril de 2009

De volta à rotina, brevemente...

O despertador tocou e, muito lentamente, como se quisesse terminar o sonho que ainda estava a ter, abri os olhos, sai de debaixo dos lençóis e levantei-me. Estiquei as pernas, os braços, rodei o pescoço e os ombros e dirigi-me à casa-de-banho. Vesti-me a correr. "Despacha-te ou vou-me embora sem ti!", ouvi o pai gritar. Sem tempo para nada mais demorado, peguei no meu iogurte e sai a correr em direcção ao carro. "Para a próxima vais de comboio!" Habituada a este comentário, encolhi os ombros e sentei-me, confortavelmente.
Começa mais um dia de aulas, com sumários, fichas, testes... E quando finalmente se ouve o toque de saída, esboço um sorriso, atiro livros e cadernos para dentro do saco e volto para casa, talvez com uma paragem pelo cominho para lanchar. O dia passa, mais depressa ou mais devagar, com a esperança de que amanhã tudo será melhor.
Mas os amigos, esses ficarão sempre comigo, sempre da mesma forma alegre e descontraída e, então, poderemos ser crianças até ao anoitecer... Vamos rir, brincar, ser felizes à nossa maneira! E quando chegar a hora, deitamo-nos e sonhamos com o mundo perfeito, o conto de fadas e a princesa no topo da torre mais alta à espera do seu príncipe encantado.





(De volta à rotina, muito em breve...)


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Dança

Entrei devagarinho e sentei-me no banco que estava do outro lado do espelho, naquela grande sala. A música tocava, ora lenta, ora mais acelerada, e tu dançavas. Nem te deste conta que eu cheguei... Como te percebo...
Não era só o teu corpo que dançava. Os teus olhos, a tua expressão, toda a tua alma se movia ao ritmo daquela música. Podia-se ver perfeitamente que estavas no teu mundo e que nada nem ninguém te poderiam perturbar. E é isso que torna a dança tão essencial, para ti, para mim, e mesmo para aqueles que se dizem "pés de chumbo". Esse cantinho especial que nos toca profundamente e que nos faz sentir mais leves, mais felizes, mais livres!
A música acabou, mas tu continuaste. Nem aquela última nota terminou o teu momento, porque, afinal de contas, ainda não estavas preparada para ir para casa, enfrentar mais um dia de chatices e aborrecimentos, mais uma semana de estudo e testes atrás de testes... Faltava mais um bocadinho, só mais uns minutos ali e já irias mais bem-disposta, com um sorriso na cara, como se tivesses acabado de sair do mais maravilhoso spa do mundo.
Esticaste o braço e agarraste a estrela mais brilhante (eu sei que sim...). E, por fim, ajoelhaste-te com o sorriso mais bonito e sincero.
É tão bom podermos ser crianças outra vez quando dançamos. Viver uma história maravilhosa e voar, mesmo que todos nos digam que não é possível e que temos é de crescer, enfrentar a realidade e deixar-nos destas coisas.





“When I was about 14 or 15, I discovered dancing. I was so in love… To dance was this flight, this intoxication, this moving through colours, reds and blues and greens… It was like my soul sweated out of every pore of my body and I was larger in myself on stage because I wasn’t just this. And I felt like if I could take all of that and put it in my dance, and there was just one person who got this thing that we are, it was worth it…”

do filme One Last Dance

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O palco...

Apesar de estar de férias não tenho tido muito tempo por isso vou postar um texto que já fiz há algum tempo:

O palco... o lugar onde tudo acontece. As luzes, a plateia, o cenário, o arrepio antes de entrar. Tudo faz parte do maravilhoso mundo do espectáculo!
Depois, vem a alegria de estar em palco, a sensação de que fazemos parte daquele mundo de fantasia e cor onde tudo parece perfeito. A dor está lá, é verdade. Mas já não é sentida. A adrenalina é tão grande que por maior que a dor seja desaparece, dando lugar ao puro desejo de que aquele momento não mais acabe. O palco não é mais um estrado de madeira. Ganha vida e revela um mundo único e fantástico!
O espectáculo não é fictício, não é sonho. É feito de sentimentos reais de pessoas que se tornam reais durante aquele momento.



Fiquem bem =)